O Tao da Física
Uma Exploração dos Paralelos entre a Física Moderna e o Misticismo Oriental
Fritjof Capra
Primeira publicação
1975
Páginas
543
Idioma
Português (Portugal)
Área
Ciência

Sobre o livro
Quando a física moderna começou a penetrar no interior do átomo, a realidade deixou de parecer uma máquina composta por partes sólidas e independentes. Matéria, espaço, tempo e causalidade perderam a rigidez que lhes atribuía a visão clássica, revelando um universo de relações, probabilidades, movimento e interdependência. Para Fritjof Capra, esta transformação científica aproxima-se de uma intuição muito mais antiga: a visão do mundo presente no Hinduísmo, no Budismo, no Taoismo e no Zen.
Ao longo de O Tao da Física, Capra coloca lado a lado duas formas de conhecer que durante séculos pareceram incompatíveis. De um lado, a matemática, a experimentação, a relatividade e a teoria quântica; do outro, a meditação, a experiência direta e as tradições contemplativas do Oriente. À medida que percorremos o espaço-tempo, a dualidade onda-partícula, o vazio, as partículas subatómicas e a estrutura dinâmica da matéria, começa a emergir uma imagem comum: nada existe verdadeiramente isolado; aquilo que chamamos «coisas» são padrões temporários numa teia de relações em permanente transformação.
É nessa fronteira que a física encontra alguns dos seus maiores paradoxos — e onde Capra reconhece ecos do pensamento oriental. O universo já não aparece como cenário imóvel onde objetos se deslocam, mas como processo vivo, uma dança incessante de criação e destruição, forma e vazio, unidade e multiplicidade. A célebre Dança de Shiva torna-se, assim, mais do que uma metáfora religiosa: oferece uma imagem capaz de dialogar com o mundo vibrante e mutável revelado pela física subatómica.
O Tao da Física não procura transformar ciência em religião nem provar o misticismo através da física. Propõe algo mais subtil: mostrar que duas grandes aventuras humanas — compreender a realidade pela razão e experienciá-la diretamente — podem encontrar-se sem perder a sua identidade. Entre equações e silêncio, partículas e meditação, Capra convida-nos a atravessar a aparência fragmentada do mundo e a contemplar uma realidade profundamente dinâmica, relacional e una.