As Variedades da Experiência Religiosa
Um Estudo da Natureza Humana
William James
Primeira publicação
1902
Páginas
561
Idioma
Português (Portugal)
Área
Filosofia

Sobre o livro
William James entra num dos territórios mais íntimos e difíceis da experiência humana: aquilo que acontece quando uma pessoa sente que está em relação com uma realidade maior do que si própria. Em vez de começar pela doutrina, pelas igrejas ou pelos sistemas teológicos, dirige o olhar para a experiência religiosa pessoal — sentimentos, impulsos, crises, visões, conversões e estados de consciência vividos na solidão — tratando-os como fenómenos psicológicos reais, dignos de investigação por aquilo que produzem na vida de quem os experimenta.
Ao longo das vinte conferências, atravessamos extremos da condição humana: a confiança luminosa daqueles para quem o mundo parece fundamentalmente bom, a angústia da «alma doente», o eu dividido, a transformação súbita da conversão, a santidade, o sacrifício e os estados místicos em que o invisível pode adquirir uma intensidade mais convincente do que a própria realidade sensorial. James recusa reduzir estas experiências a simples patologia: conhecer as suas causas biológicas ou psicológicas não resolve, por si só, a questão do seu significado ou do seu valor.
O coração do livro está precisamente nessa tensão entre ciência e interioridade. James observa a religião com o rigor do psicólogo, mas sem amputar aquilo que nela excede a explicação racional. Interessa-lhe compreender por que razão certas presenças invisíveis, intuições e estados de união podem reorganizar completamente uma vida; por que motivo a entrega pode substituir o medo; e como determinadas experiências interiores parecem abrir ao indivíduo uma nova dimensão de liberdade, sentido e poder existencial.
As Variedades da Experiência Religiosa não procura impor uma verdade religiosa única. Faz algo mais raro: abre um laboratório sobre a própria alma humana e pergunta o que podemos aprender quando levamos a sério aquilo que as pessoas vivem nos limites da consciência. Entre psicologia, filosofia e misticismo, William James conduz-nos a uma possibilidade inquietante e fascinante: talvez a experiência humana seja maior do que qualquer sistema conceptual usado para a explicar.